domingo, 26 de outubro de 2014

O amor e o melhor

Te desejo, hoje e sempre:
o amor e o melhor
o melhor dele
o melhor da vida.

Te desejo o melhor em todo e qualquer caminho
o melhor nos seus sonhos
o melhor nos seus desejos
o melhor a cada minuto

Te desejo amor na estrada e no dia
o amor na escolha e na dúvida
o amor na raiva e no desespero
o amor na certeza e na entrega

Te desejo o melhor agora e nunca
o melhor ontem e hoje
o melhor a cada segundo
o melhor diante e sempre em frente

Te desejo o amor na busca
o amor no encontro e no olhar
o amor no abraço e no beijo
o amor no tempo e no espaço certos

Te desejo o melhor ainda que tarde
o melhor ainda que espere
o melhor a cada novidade
o melhor em pensamento e em verdade

Te desejo o amor na vida e na morte
o amor ainda que com saudade
o amor, seja tanto, quanto baste
que seja amor sempre e nunca lhe falte.

sábado, 25 de outubro de 2014

O Amor feito espelho

Provavelmente já se ouviu dizer que se ama por cumplicidade, similaridade, afinidade. Traduz-se o sentimento no espelho. Gostamos do que vemos refletido no outro, porque é ali, no seio de outro ser que observamos nossa alma refletida. E ali passamos horas a fio, a admirar e querer aquilo que nos é tão recíproco e similar: nossa semelhança. Como na lenda de Narciso, que se apaixonou por sua imagem refletida na água e assim é. 

Muito do amor é traduzido no outro naquilo que vemos de nós. E identificamos os medos, as vontades, a personalidade forte, aquilo que nos desafia, que enfrentamos em nós ou que buscamos ter está tão nitidamente ali desenhado no outro, no nosso objeto amado enfeitado e traduzido à nossa semelhança. Quer seja nos defeitos, quer seja nos valores, quer seja no que enxergamos de bom e naquilo que mais gostamos, assim é porque nos refletimos nos pequenos detalhes esculpidos na maravilhosa essência do outro. 



E é nessa tradução do sentimento, através do outro, que nossos rumos e desejos se formam. Nosso ensejo de vida se desenha. Por isso, tão apressadamente vem a paixão que nos obriga a ver, de frente, as características mais marcantes do outro num desafio da entrega de si mesmo, como num choque: ele tem o que admiro, ele traz o que mais preciso, ele me traduz e me entende, nos afinizamos. E assim acontece. 

O amor é feito espelho, que nos esculpe e regenera, que nos enfeita e nos marca, que nos individualiza perante a forma, ainda que diversa do outro, mas que tão nossa e tão perfeita e que tanto nos identifica por ser peculiar e permanentemente obra da nossa conceitual realidade amorosa. E ali, somos feitos e pegos como reféns de alguém, que nos conhece e nos traduz, de forma tão farta, ainda que abstrata. Por isso o amor nos complementa e nos conforma, nos concede à vida uma forma toda especial e diversa. Mágica.


Menino do tempo

Menino do tempo 
Me deixa assim 
A viajar, flutuar... 
Querer sem fim 

Menino do tempo 
Me recolhe em tuas asas 
Me faz branda 
De brumas esparsas 

Menino do tempo 
Tem tão pouco tempo 
Pra me fazer tua 

E assim me deixa 
Em amor, me deita 
Em tua asa, nua... 

Entre rumos e flores

Me guarda e protege 
No teu mundo 
E faz do meu corpo 
Teu refúgio 
Te quero, tão puro 
Sincero e perfeito 
É você, hoje, 
Meu lugar seguro 
Me deixa intensa 
Me desenha perfeita 
E me dá teu calor 
Me enfeita imensa  
Entre rumos e flores 
Afetos intensos 
Somos outras cores  
A viajar no tempo 
Me guarda e protege 
No teu mundo 
Longe, não me deixe 
E tanto, me aquece... 
Que eu seja tua 
Hoje e sempre, 
Guardada e sua
Eternamente.

Do que todo amor aguarda...

Amor de espera, aguarda 
E guarda nele o próprio 
Momento de se fazer 

Em tempo se pauta 
Nesse vão de distância 
Que se principia 

Faz vontades e desejos 
Cria ensejos sem fim 
Amor de querência 

E nessa ausência de fato 
Intensifica o pensamento 
E esquece o resto 

Enfeita o peito 
De uma vã saudade 
Que fica e inicia 

É amor desejo 
Que recita um beijo 
Que nunca finda 

E nessa valsa 
E entre o tempo 
Há o amor, imenso de desejo. 

Da Sintonia, Do Amor e Do Tempo...

Quem determina essas três coisas ou esses três atos ? Quando eles entram em contato, de forma oficial ? Quando podem passar da situação hipotética à realidade tangível ? Certo é que não há como saber, no entanto, quando se encontram os três na mesma linha, ou na mesma página a prepararem a história é que iniciam-se no ritmo cadenciado do coração. E não há como fugir ou deixar de ser. É apenas um querer ter e estar, numa constante e fatídica busca, enfim, da almejada felicidade. Felicidade que transforma e tudo transcende. 

E é tênue, ao mesmo tempo em que incorre em muitos riscos. Porque a linha, ainda que a mesma, ou a página também, o parágrafo dos três, ande em consonância, não é certo que atingirá duas pessoas em mesma sincronia. Não é certo que conseguirá administrar o alinhamento recíproco. Não é garantia de se instalarem a sintonia, o amor e o tempo dentro do coração do outro. Não. No amor nada é garantido, menos ainda tudo isso. Por isso ele é assim, essa forma lúdica que a vida traz de enfeitar e de semear. 


E por conta disso, uma série de desavisados mal diz o amor ! Ah ! Pobre amor ! Esse malgrado que nos atravessa o caminho ? Não. Não é nada disso... Apenas acontece do amor ser independente de qualquer regra. Independente de qualquer fórmula ou traço. Independente de qualquer característica, não há qualquer grão que engaje uma história a outra. Não há qualquer semelhança de uma história a outra quando se trata de amor. É tudo diverso... Diversos os sentimentos, os seres, os contextos, as realidades que se chocam, os momentos e os teores. Assim como é diversa a sintonia, diverso é o tempo de amor de cada um. 

E assim é. Não há o que mudar. Não há o que fazer. O amor é algo que se sente, até o último grão ou se deixa, ao meio do caminho, até que outro que venha a seguir o pegue e o transforme. Sim. O amor muda. O amor progride e prolifera. Quanto mais se dá, mais se tem. Quanto mais se espalha, mais se ganha de volta. E quem duvida do amor ? A sua centelha é fagulha que emana luz e emana prosperidade por onde passa. E não diga que assim não seja. Porque o que mata, fere ou machuca é qualquer coisa que não amor. O amor, ainda que interrompido pela falta de sintonia entre o peito e o tempo é amor e é maior que a dor, que a distância, que a ausência. O amor é aquilo que de melhor nos alimenta e nos faz humanos. Portanto, ainda que não se esteja na mesma revigorada frequência, ame. O repleto complemento do amor é o que compensa qualquer vazio da existência.